Cmte. Gerson: uma vida dedicada a ajudar o próximo

Atualizado: Mai 19


A ASAGOL conversou com o Cmte. Gerson Otavio Salvador para mais uma edição do projeto “After Landing”, que conta histórias e projetos dos tripulantes fora do dia a dia da aviação.


O comandante possui cerca de 40 anos dedicados à aviação e atua em projetos sociais desde a infância, inspirado pelas boas ações de seu pai. Na fase adulta, criou e administrou um orfanato que cuidou de mais de 50 crianças e adolescentes.


O Cmte. Gerson visita instituições de caridade vestido de palhaço e ajuda em diversas outras frentes. Ele integra o grupo de motociclistas “Bodes do Asfalto”, que além de realizar passeios em grupo, também atua em projetos sociais, arrecadação de mantimentos, visitas em hospitais e asilos, além de mutirões para ajudar quem mais precisa.

Nesta edição do “After Landing” você conhecerá melhor a história de vida do Cmte. Gerson.

Ouça a entrevista:

Dos aviões de palitos à formação como piloto


Aeroportos, pistas de pouso e aeronaves, todos criados com palitos de sorvete. Essa era a principal brincadeira do Cmte. Gerson em sua infância. Desde muito jovem ele já tinha o sonho de ser um piloto.


“Eu juntava trocados que conseguia engraxando sapatos e comprava palitos, construía toda a estrutura para brincar, já adorava a aviação desde os seis anos de idade”.


Apesar da paixão por aviões desde a infância, o comandante não contou com nenhuma referência que alimentasse esse gosto. “Surgiu naturalmente, eu não tinha nenhum familiar, amigo, parente, ninguém ligado à área, eu simplesmente galguei esse caminho desde novo, sozinho”.


O amor pelos aviões permaneceu e, aos 18 anos de idade, Gerson decidiu focar na carreira. Ele precisou convencer o pai, que considerava a escolha uma forma de fugir dos estudos em uma faculdade. “Eu passei nos vestibulares, mas não realizei a inscrição, foi apenas para mostrar ao meu pai que eu tinha capacidade de cursar, mas não era o meu desejo, o meu mundo era a aviação.”


Após convencer o pai, foi ao Aeroporto Campo de Marte para conhecer a ESA (Escola Superior de Aviação). Ele começou a realizar a sua formação no local, tendo instrução com o Cmte. Turolla, hoje seu colega de trabalho na GOL Linhas Aéreas. “Foi o meu primeiro instrutor, agora estamos juntos como comandantes na mesma empresa”.


Ele optou por completar a formação e tirar o brevê em outra escola, localizada na cidade de Itápolis, interior de São Paulo. “A partir desse momento, começou a minha carreira como aviador.”


A trajetória profissional até a GOL


Após a formação na escola, Gerson foi convidado para dar instrução e realizar outros trabalhos. “Eu era instrutor e fazia alguns voos para fazendeiros da região, depois trabalhei seis meses para a Itapemirim e, aos 21 anos, em abril de 1985, fui contratado pela TAM para voar o Bandeirante”, explica.


No ano seguinte, ele aceitou uma proposta da VASP, seduzido pelas aeronaves a jato da empresa. Em 1986, o comandante começou a voar o Boeing 737-200, passando para o Airbus A300 dois anos depois. Em seguida, voou o Boeing 737-300 e o MD-11 pela VASP. O comandante permaneceu na companhia por 15 anos, entre 1986 e 2001.


Após deixar a VASP, Gerson ingressou na Gol Linhas Aéreas, em fevereiro de 2001.


“Fui um dos primeiros pilotos contratados pela empresa, que tinha começado a operar apenas um mês antes da minha entrada. Já são quase 19 anos de história e gosto muito da Gol”.

Um dos primeiros pilotos da Gol, um dos primeiros associados ASAGOL


O Cmte. Gerson também foi um dos primeiros a acreditar na ASAGOL e na importância de o grupo de voo possuir uma associação. Ele é o associado número 27 e foi um dos fundadores.


“Ter uma entidade representativa é muito importante, é a união dos colegas, podemos procurar em grupo benefícios maiores e melhores condições”, comenta.

O comandante já tinha passado por associações em empresas anteriores e contou que esses exemplos foram considerados no projeto de criação da ASAGOL. “Muitos tripulantes tinham experiências anteriores ruins, de associações que batiam de frente com a empresa, atuando como um sindicato. Nós queríamos um projeto com foco no benefício do grupo”.


A ideia surgiu e, com a união dos tripulantes, a ASAGOL foi criada em 2003, com o intuito de trazer representatividade e benefícios. “Eu fiz questão de apoiar esse projeto e ingressei assim que a associação foi criada, permanecendo todos esses anos”.


Hoje, após 16 anos como associado, o Cmte. Gerson aprova o trabalho da ASAGOL. Ele se disse orgulhoso de fazer parte dessa história e bem representado pela entidade: “participei do Workshop de Segurança Operacional, que foi fantástico e trouxe muito conhecimento, tenho plano de saúde pela associação, são muitos benefícios e só tenho a agradecer”.


Ele também fez questão de elogiar os colegas que integram a diretoria:


“as pessoas que assumiram esse trabalho, de forma voluntária, fazem com muito primor, abrem mão de diversas coisas em prol do coletivo.”

O amor por ajudar o próximo


“O início, na verdade, foi uma continuidade, o exemplo que tive do meu pai, que sempre ajudou as pessoas, eu apenas o imitei, prossegui com esse legado”. Dessa forma o Cmte. Gerson descreveu como começou a realizar trabalhos voluntários. Desde a sua infância ele participava das atividades sociais com o seu pai e levou esse gosto consigo por toda a vida.


No final da década de 1980, o comandante criou um orfanato na cidade de Paranapiacaba, interior paulista. Tudo começou quando ele decidiu ajudar uma senhora que abrigava crianças em sua própria casa.


“A Dona Dina não tinha espaço sequer para deitar, dormia sentada, acolhia, mas não tinha condições, juntamos recursos, conseguimos um espaço, estrutura e começamos esse trabalho.”

O orfanato chegou a abrigar mais de 50 crianças e o comandante, que já voava na VASP, dava instrução para pilotos de fazendeiros para manter o local. “Tínhamos um grupo de pessoas envolvidas e arrecadávamos em várias frentes, cada um na sua área, a minha forma de ajudar era essa”.


O grupo de voluntários recebia mantimentos dos fazendeiros da região. Certa vez, um deles mandou para o orfanato uma vaca, 500 galinhas e 200 codornas, que serviam para alimentar as crianças e conseguir fundos. “Montamos uma horta no terreno, fazíamos a venda desses produtos em um bazar para ter uma renda”.


Anos depois, o orfanato foi para a cidade de São Bernardo do Campo e mudou de administração.


O palhaço ‘Tuiuiu Perna Fina’


Apesar de deixar a administração do orfanato, o Cmte. Gerson continuou atuando em causas sociais. Há mais de 20 anos ele se veste de palhaço e visita hospitais, asilos e entidades assistenciais.


“Eu sempre achei bonito esse trabalho, mas nunca houve nenhum contato, até o dia em que conheci uma pessoa que me convidou e eu topei”, resume.

O comandante realizou os cursos de palhaço, frequentou as academias de preparação, e percebeu que essa atividade era mais séria e complexa do que imaginava. “Temos que trabalhar em vários ambientes e é preciso saber lidar com cada situação, de uma maneira que ajude e não ofenda ou prejudique as pessoas”.



Gerson fez cursos envolvendo assistência social, conhecimento sobre doenças raras, entre outros que o prepararam para essa iniciativa. Ele continua levando alegria a quem passa por momentos difíceis com o personagem que criou, o palhaço Tuiuiu Perna Fina:


“quando vestimos a fantasia deixamos de ser nós mesmos, nos tornamos um personagem, um ser livre de qualquer preconceito, fazemos as coisas olhando as pessoas de uma maneira diferente, tratamos com igualdade.”

Vestir o personagem Tuiuiu Perna Fina é um dos grandes prazeres do Cmte. Gerson. “É algo que farei sempre com todo o carinho, enquanto tiver forças.”


Bodes do Asfalto


Outra paixão do Cmte. Gerson, desde a juventude, é passear de motocicleta. Ele conseguiu unir esse amor com a vontade de ajudar o próximo há 11 anos, quando entrou para o grupo “Bodes do Asfalto”. Os motociclistas se reúnem periodicamente para pegar a estrada e realizar trabalhos voluntários de forma conjunta.


“O lema do grupo é andar de moto e fazer o bem a alguém em algum lugar, fazemos mutirões para ajudar a consertar os locais, arrecadamos alimentos, entre outras ações”, detalha.


Os “Bodes do Asfalto” também realizam eventos. Em um deles, a entrada custava 1kg de alimentos não perecíveis, que são direcionados às entidades que cuidam de pessoas em situação de necessidade. “Cheguei a ter mais de uma tonelada de alimentos na garagem, fizemos a distribuição com muito prazer e alegria.”


Os “Bodes do Asfalto” têm presença nacional e internacional, com cerca de dez mil integrantes divididos por regiões. O Cmte. Gerson participa do grupo que atende as cidades do Grande ABC Paulista, que conta com mais de 100 motociclistas ativos.


A recompensa do esforço


Em uma das suas ações para ajudar o próximo, o Cmte. Gerson visitou o Instituto Ronald McDonald em São Bernardo do Campo, que cuida de crianças com câncer. Com os colegas do grupo “Bodes do Asfalto”, ele brinca, faz companhia e leva as crianças para dar voltas de motocicleta no pátio.



“Eu fiz um percurso com uma garotinha deficiente visual que me perguntava tudo o que acontecia, depois, na segunda volta, ela descreveu cada ação detalhadamente, foi emocionante”.


Nas décadas de trabalhos sociais, a principal lição que o comandante aprendeu foi o bem que a prática faz para todos ao redor.


“É claro para mim que o trabalho voluntário ajuda mais quem o pratica do que quem recebe a ajuda, a sensação de bem-estar, de alegria em fazer boas ações, é incrível”.

Veja a galeria com todas as fotos enviadas pelo Cmte. Gerson:




Participe do projeto ‘After Landing’


Caso tenha um hobby ou projeto fora da aviação, envie um resumo da sua história para nós, no e-mail assessoria@asagol.com.br. Ela pode ser contada em uma edição futura do nosso canal “After Landing”!


Vale lembrar que a ASAGOL possui uma área em seu site para a indicação de entidades para doações e divulgação de trabalhos voluntários. Veja mais no link: https://www.asagol.com.br/indique-uma-entidade.

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