After Landing Cmte. Criatura: a história de um dos maiores colecionadores da aviação

Atualizado: Mai 19


Cmte. Maurício Rego com uma pequena parte de sua coleção, que conta com mais de 6 mil itens

A nova edição do nosso canal “After Landing” da ASAGOL, com entrevistas de tripulantes associados e seus projetos fora do dia a dia na empresa, traz a história do Cmte. Maurício Rego, mais conhecido pelo grupo como “Criatura”.


Além dos mais de 40 anos como piloto, com experiência nacional e internacional, ele é uma das pessoas mais apaixonadas pela aviação do país. A prova desse amor é visível em sua coleção, com mais de 20.000 itens, contando livros, manuais, maquetes, brevês, bottons, chaveiros, canetas e, como ele diz, “qualquer coisa relacionada à aviação”.


Cada objeto de sua coleção, construída em mais de 50 anos, conta a história da aviação. Guardar esse registro e passar para frente essa informação são a sua principal motivação em continuar reunindo itens.


Veja mais uma história do nosso “After Landing” abaixo ou realize o download do podcast aqui.


Da admiração na infância aos mais de 40 anos como piloto


A ligação do Cmte. Criatura com a aviação começou cedo. Em sua infância, na escola, o que mais chamava a sua atenção não era o professor, os colegas ou o quadro negro, era a janela. “Desde que eu me conheço por gente eu sou apaixonado pela aviação, quando criança eu olhava mais para fora da sala de aula, pela janela, para ver os aviões passarem do que prestava atenção no conteúdo”, lembra.


Em 1974 o futuro comandante, natural de Recife (PE), começou a busca por seu objetivo, que na época era ser um piloto de caça. Ele ingressou na EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar), da FAB, para cursar o ensino médio na unidade de Barbacena (MG). “Sai cedo de casa, tinha apenas 15 anos e já morava fora, na escola, com outros 800 alunos”. Após a conclusão, em 1977, passou para a Academia da Força Aérea em Pirassununga e se graduou Oficial Aviador, em 1980.


Cmte. Criatura na juventude, em seus tempos de FAB

As dificuldades e a pressão eram enormes, de acordo com Criatura. As questões de matemática estão presentes em sua vida até hoje. “Ainda tenho pesadelos, as provas eram bem difíceis. Na época da academia, a cada três alunos, dois eram desligados, entraram 350 e apenas 136 se formaram”, recorda. Ele superou os obstáculos e ingressou na aviação de caça, atuando por seis anos nessa área.


“Voei o Xavante e o F-5, deixei a FAB como capitão aviador”.

Após o período na aeronáutica, ele optou por migrar para a aviação civil: “muita gente saiu por questões salariais e profissionais, não havia muita perspectiva, ingressei na Transbrasil, onde pilotei o Boeing 707”. Após cinco anos voando nas Américas, ele foi contratado pela VASP em 1991, empresa que estava crescendo na época e poderia oferecer oportunidades.


Voou o DC-10 até deixar a companhia em 1992 e seguir para a Malaysia Airlines. “Na época não havia muitos pilotos brasileiros no exterior, somados creio que não dava dez no total, foi uma ótima experiência, minha família gostou da Malásia e se adaptou rapidamente”, conta. Ele também atuou com o DC-10 por dois anos até terminar o seu contrato e voltar para o Brasil, regressando para a VASP.


Foram mais dez anos pela companhia, voando o MD-11 e em seguida o Boeing 737-200, até migrar para a Gol Linhas Aéreas em 2004, empresa que permanece até hoje. “Já estou indo para 16 anos de Gol, completo no dia 1º de abril de 2020”.


A paixão em forma de coleção


Um dos quartos da casa do Cmte. Criatura, dedicado às maquetes de aeronaves

Durante todo esse período, desde as observações pela janela da escola até os quase 16 anos de Gol, o comandante colecionou artigos ligados à aviação. Atualmente ele conta com um dos maiores acervos da área, com mais de 20.000 objetos.


“Tudo que tem qualquer ligação com a aviação eu tenho e coleciono, o que puderem imaginar provavelmente terei em meu acervo.”

A busca por artigos colecionáveis começou na infância, com o plastimodelismo. “Tinha uma loja em Recife que vendia os kits de aviões, eu guardava o dinheiro do lanche do colégio para comprar e montava depois, tenho alguns deles até hoje”, lembra. Além das miniaturas, ele começou a adquirir livros sobre aviação, caças, histórias de pilotos na 2ª Guerra Mundial e até manuais de aeronaves. “Também comecei a guardar revistas, fotografias recortadas, chaveiros e qualquer coisa ligada ao setor.


Ao entrar na EPCAR, aos 15 anos, ele já contava com um bom acervo, mas continuou sua busca. Ele escrevia para empresas, forças aéreas e fábricas, comentava sobre a sua paixão pela aviação e solicitava o envio de fotos, panfletos, pôsteres, ou qualquer artigo que remetesse à área. “Quase todos mandavam, eu comentava que era cadete da FAB e eles enviavam, nas férias, tirava tudo do armário e levava para a minha casa, em Recife.”


O crescimento da coleção


Após a sua formação na FAB, o comandante começou a voar caças, entre eles o F-5 e o Xavante. Ele continuou aumentando a sua coleção, adquirindo principalmente livros e revistas. Devido ao número de itens, que na época já era grande, ele dividiu o acervo em três locais: a sua residência no Rio de Janeiro, a casa da mãe e o apartamento da sogra, ambos no Recife.


Quando migrou para a aviação comercial a coleção aumentou ainda mais. “Eu fazia voos internacionais e via muita coisa legal na Europa, Estados Unidos e outros países. Acabava voltando com a mala cheia, principalmente de maquetes die-cast, miniaturas já montadas, de metal”. Foi também nessa época que a Internet se popularizou, facilitando a compra de artigos da aviação em sites como Mercado Livre e eBay.


“Nessa época ampliou muito a minha coleção, graças à facilidade que a Internet proporcionou e às viagens para fora do Brasil”

Além de estar sempre atento às novidades postadas na Internet, o Cmte. Criatura visita feiras de antiguidades, muito comuns em outros países. “Sempre tem algo bacana, raridades por preços ótimos, adquiri bastante coisa em quintais de residências.”


Por ser da reserva da aeronáutica, o comandante também visita bases aéreas e esquadrões para pedir artigos colecionáveis, tendo livre acesso aos locais. Ele consegue doações dos colegas, incluindo patch, brevês, entre outros.


“Os amigos da Gol também ajudam, conhecem o meu hobby e quando têm algo para doar entram em contato com a minha esposa, ela autorizando vem para a coleção”

O hobby e a família


“A minha esposa viu primeiro a coleção, então ela já sabia como seria antes de me conhecer, não pode reclamar muito”. Ana Rita Fugagnoli Baptista do Rego, a esposa do Cmte. Criatura, era amiga de sua irmã e, em uma das visitas à residência da família, ela viu as miniaturas, pôsteres, maquetes, fotos e demais artigos no quarto do então Cadete da FAB, no Recife. “Nessa época eu morava em Pirassununga, estava na Academia da Força Aérea, a gente se conheceu um tempo depois”, lembra.


De acordo com o comandante, a esposa sempre foi favorável ao seu hobby de colecionar. “Ela gosta de receber visitas e sempre aparecem colegas apaixonados pela aviação querendo ver o acervo”. As novas aquisições para a coleção passam pelo crivo dela, que é responsável por alocar os objetos: “estamos sempre em negociação por espaço, eu querendo mais e ela segurando o quanto pode”.


Os filhos também cresceram convivendo com a coleção do pai. O mais novo, inclusive, se mudou e teve o quarto tomado pelas maquetes de aviação. “Já até perguntei para o mais velho quando ele sai, estou de olho no quarto dele também”, brinca Criatura.


O quarto de um dos filhos do comandante virou espaço para exibição dos itens logo após ele deixar a casa

A história da aviação como motivação


Cada unidade da coleção do Cmte. Criatura conta uma história. Essa é a sua principal motivação para continuar adquirindo objetos. “Os livros, maquetes, tudo está ligado, são recortes da aviação, do surgimento até os dias atuais”. Por essa razão, uma das coisas que mais o incomodam é ver material da área sendo descartado.


O comandante já flagrou alguns objetos antigos sendo jogados no lixo.


“As pessoas jogam fora e isso me preocupa, pois é uma parte da história da aviação sendo perdida dessa maneira, é mais uma forma de me motivar, impedir que registros sejam perdidos, esquecidos.”

Essa admiração pela história do setor começou junto com a paixão por colecionar. Aos dez anos de idade, Criatura teve hepatite e não pode sair de casa para brincar, a sua diversão era ler livros. Entre eles, havia relatos de pilotos de caças, histórias, guerras e memórias de aviadores. As maquetes também traziam informações: “elas vinham com a descrição da aeronave, detalhes do modelo, descrição, além da miniatura tinha o conteúdo”.


Ainda na infância, ele lembra que uma loja traria maquetes da Inglaterra. Criatura guardou dinheiro por um bom tempo, pois os produtos demoraram para chegar, para o seu desespero. “Não vinha nunca, eu passava todos os dias no lugar perguntando, no dia que chegou eu tinha acumulado tanto dinheiro que comprei quase todas”, recorda.


O museu do Criatura



Cerca de 50 anos colecionando renderam ao Cmte. Criatura um dos maiores acervos ligados à aviação do Brasil. Atualmente, todo o material está dividido em dois locais: o seu apartamento e o de sua irmã, onde ele guarda a biblioteca com mais de 6.000 livros e manuais sobre o setor. “Li a maioria desses livros, em todas essas décadas eu comprei todos que vi ligados à aviação”.


Os números chamam a atenção: cerca de 1500 maquetes montadas (500 de plastimodelo na caixa, para montar), 3.500 patchs de macacão de aviadores, 2.500 brevês, 300 chaveiros, 400 bottons e incontáveis canetas, safety cards, entre outros objetos colecionáveis. “Tenho um assento de ejeção, painel de avião de caça e umas 20 maquetes de loja, algumas com mais de dois metros”, complementa.


De acordo com Criatura, uma coleção foi levando à outra. Começou com os plastimodelos e avançou para livros, revistas e demais itens.


“Quando saí da FAB me interessei pelos patchs de aviação, depois ganhei um brevê de um amigo, da Cruzeiro do Sul, o que despertou o meu interesse por mais, em seguida os quadros, pôsteres, bottons, foi aumentando”.

A vontade do comandante é, no futuro, montar um museu ou uma fundação para disponibilizar a coleção a um número maior de apaixonados pela aviação. No entanto, ele lamenta a falta de interesse do brasileiro por exposições. “Tem o Museu da Marinha, no Centro do Rio de Janeiro, que é fantástico. Fiquei três horas no local e só vi uma pessoa, é triste, mas quero disponibilizar a minha coleção.”


Participe do projeto ‘After Landing’


Caso tenha um hobby ou projeto fora da aviação, envie um resumo da sua história para nós, no e-mail assessoria@asagol.com.br. Ela pode ser contada em uma edição futura do nosso canal “After Landing”!


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