Conheça o Manual de Orientações para Investigação da Fadiga em Ocorrências Aeronáuticas

Atualizado: Mai 29

Documento traz orientações que poderão ser utilizadas por investigadores.


A Comissão Nacional de Fadiga Humana (CNFH) concluiu a versão final do Manual de Orientações para Investigação da Fadiga Humana em Ocorrências Aeronáuticas, resultado de um complexo estudo que contou com a participação de órgãos governamentais, empresas do setor aeronáutico, universidades, entidades do setor médico e entidades representativas dos aeronautas.


Com abordagem operacional, o documento está em sua terceira revisão e tem por objetivo auxiliar na investigação de acidentes e incidentes, provendo aos investigadores diretrizes sobre quais aspectos deverão ser analisados quando houver suspeita de participação do fator humano nas ocorrências.


“A aviação mundial moderna traz consigo grandes desafios para o gerenciamento do erro humano e suas consequências para a segurança operacional. Novas tecnologias embarcadas têm garantido altos padrões de confiabilidade dos componentes e sistemas, mitigando sobremaneira a incidência de falhas materiais nas ocorrências e nos acidentes aeronáuticos [1]. Por outro lado, o aprimoramento dos sistemas e equipamentos também pode acarretar num aumento da complacência, assim como da complexidade na interação homem-máquina [2].” – CNFH, Manual de Orientações para Investigação da Fadiga Humana em Ocorrências Aeronáuticas

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Almejado há muito tempo pelos aeronautas não apenas como um meio de investigação, mas de conhecimento e aprendizado visando a segurança de voo, conforme preconiza a filosofia SIPAER, o manual traz o que há de mais avançado em práticas voltadas à análise de eventos para os quais a fadiga humana possa ter contribuído.


Aspectos individuais, ambientais, técnicos, operacionais e regulatórios compõem o arcabouço do documento, delineando uma metodologia objetiva e detalhada para amparar as investigações.


Histórico


Os primeiros passos na direção de um guia para a investigação da fadiga nas ocorrências aeronáuticas brasileiras foram dados em 2013, com a criação da Comissão Nacional da Fadiga Humana (CNFH).


Proposta pela ABRAPAC e formada por membros do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), o surgimento da CNFH teve respaldo nos dados de uma pesquisa realizada pela própria ABRAPAC, em parceria com a ASAGOL, que apontava a complexidade das investigações sobre a fadiga e culminou com a criação do Projeto Fadigômetro.


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Tendo como seu primeiro coordenador o Cmte. Paulo Licati, atual presidente da ABRAPAC, a Comissão apresentou em 2014 uma metodologia de investigação da fadiga humana em ocorrências aeronáuticas para o Estado brasileiro, focada na criação de ferramentas que permitam a mitigação dos riscos da fadiga e o consequente aumento da segurança operacional.


Com a progressão dos trabalhos e o avanço dos estudos sobre a fadiga veio, em 2017, o Guia de Investigação da Fadiga em Ocorrências Aeronáuticas. O documento trazia uma compilação de estudos teóricos, com a metodologia de investigação em um capítulo à parte.


Desde então foram inúmeros os avanços nos trabalhos e pesquisas na área, em particular no Brasil, destacando-se o início da coleta de dados, em 2018, pelo Projeto Fadigômetro. Por meio do envio sistemático das escalas de voo pelos aeronautas, o Fadigômetro tem sido capaz de determinar os níveis de exposição dos tripulantes aos riscos da fadiga em nossa aviação, e foi um dos balizadores da mais recente revisão na metodologia de investigação ora apresentada.


Utilizando dados recentes e correlacionados à realidade brasileira, a CNFH traz, em 2020, o Manual de Investigação da Fadiga em Ocorrências Aeronáuticas. Para além de uma atualização do Guia de 2017, o Manual destaca-se pelo enfoque prático, com conteúdo exclusivamente voltado à metodologia de investigação, levando em conta as recomendações constantes no DOC n° 9966 da OACI, bem como as práticas investigativas de agências como o National Transportation Safety Board (NTSB - EUA) e o Transportation Safety Board (TSB - AUS).


Dada sua importância no contexto da segurança operacional e a relevância do Brasil perante seus pares no cenário internacional, a atual revisão é também a primeira a receber uma versão em inglês.


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Participação da ASAGOL


Como membro do CNPAA e coparticipante da pesquisa que embasou a criação, em 2013, da CNFH, a ASAGOL tem sido um ativo participante nos estudos e pesquisas voltadas ao gerenciamento dos riscos da fadiga no Brasil.


Presente na Comissão desde o seu início, a associação também tem atuado na coordenação dos seus trabalhos, primeiro com o Cmte. Raul Bocces, em 2017, e posteriormente com o Cmte. Tulio Rodrigues, que assumiu em 2018 e é o atual coordenador da CNFH.


Tal presença tem proporcionado um inestimável ganho técnico à ASAGOL, cuja atuação na área do gerenciamento dos riscos da fadiga estende-se à CNFH, ao projeto Fadigômetro e, mais recentemente, ao Grupo de Ação e Gerenciamento da Fadiga da Gol (GAGEF).


Gerenciamento da fadiga, uma responsabilidade de todos


Nos últimos anos o Brasil tem avançado a passos largos no estudo, pesquisa e ações para o gerenciamento da fadiga humana na aviação.


O caminho, porém, ainda é longo para chegarmos ao estágio em que se encontram países que hoje são referência, motivo pelo qual não só o trabalho técnico mas também o de conscientização torna-se uma responsabilidade de todos os envolvidos, direta e indiretamente.


O sucesso na implementação de novas metodologias e uma regulamentação mais eficaz no gerenciamento da fadiga passa, inevitavelmente, pelo amadurecimento de aeronautas, companhias aéreas e órgãos reguladores para a responsabilidade que compartilham na mitigação dos riscos inerentes às cargas de trabalho que não se atentem aos limites fisiológicos do corpo humano.


É preciso entender esses limites e respeitá-los para que possamos alcançar o ponto de equilíbrio para uma aviação produtiva, eficiente e segura.

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