Novembro Azul: conscientização sobre o câncer de próstata


Edição nº 11

Por Cíntia Yoko Morioka


Novembro é o mês da conscientização do câncer de próstata.


O movimento surgiu na Austrália, em 2003, chamado Movember, aproveitando as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, realizado a 17 de novembro.


Epidemiologia


No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) e o quarto maior em incidência considerando ambos os sexos. A estimativa de novos casos é de 68.220 (2018 – INCA, Instituto Nacional do Câncer) e o número de mortes: 13.772 (2013 – SIM, Sistema de Informação sobre Mortalidade)


A doença é rara em homens com menos de 40 anos, mas a chance de ter câncer de próstata aumenta rapidamente após os 50 anos. Cerca de 6 em cada 10 casos ocorrem em homens com mais de 65 anos.


Raça/etnia


O câncer de próstata ocorre mais freqüentemente em homens afro-descendentes do que em homens de outras raças, havendo, inclusive, duas vezes mais chances de morrerem por causa da doença do que os homens brancos. Esse é também um tipo de câncer que ocorre com menos frequência em homens asiático-americanos e hispânicos/latinos do que em brancos não-hispânicos. As razões para essas diferenças raciais e étnicas não são claras.


Quais são os Sinais de Alerta do Câncer de próstata?


Geralmente, não há sinais de alerta. O câncer de próstata precoce não tem sintomas. Por essa razão, é importante fazer o rastreamento. A detecção precoce da doença significa que ela pode ser curada.


Cânceres de próstata em estágios mais avançados podem apresentar sintomas como: problemas ao urinar, diminuição da velocidade de urinar ou do jato urinário, ou necessidade de urinar mais vezes durante a noite; sangue na urina ou no sêmen; problemas de disfunção erétil; dor nos quadris, coluna lombar, costelas ou outras áreas para onde o câncer pode espalhar; fraqueza ou formigamento de pernas ou pés, ou até mesmo perda de controle esfincteriano urinário ou anal devido ao câncer estar pressionando a medula.


Fatores de risco não controlados


História familiar


O câncer de próstata parece ocorrer em algumas famílias, sugerindo que em determinados casos pode haver um fator hereditário ou genético (ainda assim, a maioria dos cânceres de próstata ocorre em homens sem histórico familiar). Ter um pai ou irmão com a doença mais do que dobra o risco de um homem desenvolvê-la. O risco é maior para homens que têm um irmão com a doença do que para aqueles que têm um pai com ela, e muito maior para homens com vários parentes afetados, particularmente se eram jovens quando o câncer foi encontrado.


Deve-se salientar que ter um pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença de 3 a 10 vezes, comparado à população em geral, podendo refletir tanto fatores genéticos quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco.


Mutações genéticas


Várias alterações genéticas hereditárias (mutações) parecem aumentar o risco de câncer de próstata, mas elas provavelmente representam apenas uma pequena porcentagem dos casos em geral. Mutações herdadas dos genes BRCA1 ou principalmente o BRCA2 podem aumentar o risco de câncer de próstata em alguns homens. Os homens com síndrome de Lynch (também conhecida como câncer colorretal hereditário sem polipose, ou HNPCC), têm um risco aumentado de câncer de próstata. Outras alterações genéticas hereditárias também podem aumentar o risco.


Dieta


Homens que comem muita carne vermelha ou laticínios com alto teor de gordura, e tendem a comer menos frutas e vegetais, parecem ter uma chance ligeiramente maior de contrair câncer de próstata.– os médicos não têm certeza sobre qual desses fatores é responsável por aumentar o risco. Alguns estudos sugeriram que homens que consomem muito cálcio (através de alimentos lácteos ou suplementos) podem ter um risco maior de desenvolver a doença. Deve-se salientar que o consumo de cálcio também traz benefícios à saúde, e não deve ser evitado.


Obesidade


Alguns estudos relatam que obesos têm um risco menor de adquirir uma forma de doença de baixo grau (menos perigosa), mas um risco maior de contrair câncer de próstata mais agressivo (que pode invadir órgãos vizinhos e apresentar metástases-quando o tumor primário se espalha para órgãos distantes). Outros estudos descobriram que obesos podem estar em maior risco de desenvolver e morrer de câncer de próstata mais avançado.


Fumar


A maioria dos estudos não encontrou uma ligação entre o tabagismo e o câncer de próstata. Apesar de algumas pesquisas o associarem a um possível aumento do risco de morrer da doença. Mas esse achado precisa ser confirmado por outros estudos.


Exposições químicas


Alguns estudos sugeriram uma possível ligação entre a exposição ao Agente Laranja e o câncer de próstata, embora nem todos tenham encontrado tal relação.


Inflamação da próstata


Alguns estudos sugeriram que a prostatite (inflamação da próstata) pode estar ligada a um risco aumentado de câncer de próstata, mas outros estudos são controversos. A inflamação é frequentemente vista em amostras de tecido prostático que também contêm câncer, e a ligação entre os dois ainda não está clara.


Infecções sexualmente transmissíveis


Infecções sexualmente transmissíveis (gonorréia ou clamídia) podem aumentar o risco de câncer de próstata, porque podem levar à inflamação da glândula. Os estudos são controversos.


Vasectomia


Alguns estudos sugeriram que homens que fazem vasectomia apresentam um risco levemente maior de desenvolver câncer de próstata, mas outros estudos não relatam esses resultados.


Fatores de risco que podem ser evitados


Alguns fatores que aumentam o risco de câncer de prostata podem ser controlados: dieta rica em carnes vermelhas ou lacticínios com gordura, estar acima do peso, praticar poucos exercícios físicos, tabagismo e alcoolismo.


Rastreamento ou screening


Antígeno Prostático Específico ( PSA)

Ultrassonografia

Toque retal


Diagnóstico


PSA alto com toque retal normal

PSA normal com toque retal

PSA normal com toque retal alterado

PSA aumentado com toque retal alterado


Para esses casos deve-se procurar um urologista para ser avaliado.


Prevenção do câncer de próstata


  • Homens com risco maior de desenvolver câncer de próstata devem começar a fazer os exames preventivos aos 50 anos;

  • Descendentes de negros ou homens com parentes de primeiro grau portadores de câncer de próstata antes dos 65 anos apresentam risco mais elevado de desenvolver a doença; portanto, devem começar a fazer os exames aos 45 anos;

  • Pessoas com familiares portadores de câncer de próstata diagnosticado antes dos 65 anos apresentam risco muito alto de desenvolver a doença; por isso, devem começar o acompanhamento médico e laboratorial aos 40 anos;

  • A recomendação padrão é que homens saudáveis façam exames anuais de PSA e toque retal a partir dos 50 anos. Homens com risco maior (aqueles que têm parentes que tiveram câncer de próstata jovens) devem começar os exames mais cedo, aos 45 anos.

  • Resultados de PSA e toque retal alterados são relativamente comuns, mas podem gerar muita angústia, apesar de não serem suficientes para estabelecer o diagnóstico de câncer de próstata; para confirmá-lo é indispensável dar prosseguimento a uma avaliação médica detalhada e criteriosa;

  • Alimentação balanceada e prática de exercícios físicos regularmente são recomendações importantes para prevenir a doença.


Tipos de tratamento


Se os níveis de PSA estão aumentando ou estão estáveis, se o câncer se espalhou para os ossos, o paciente tem histórico de saúde ou outras doenças, seguem as recomendações para o tratamento:


  • Câncer de próstata em estágio precoce (estágios I e II): radioterapia (externa ou braquiterapia) ou cirurgia.

  • Dependendo do score do Gleason, homens com câncer de próstata de alto risco em um estágio precoce, que não se espalhou para outros locais, devem ser submetidos a prostatectomia radical ou radioterapia com deprivacão de andrógeno.

  • Câncer de próstata localmente avançado (estagio III): homens com esse estágio de tumor que não desejam ser operados não devem receber quimioterapia ou bloqueio hormonal antes da cirurgia. Pacientes que escolhem a radioterapia devem receber bloqueio hormonal. Para pacientes que têm expectativa de vida limitada e que o câncer é assintomático, ou que são portadores de outras patologias mais graves, a conduta é a expectância.


Por que os pacientes são resistentes aos tratamentos?


Porque os tratamentos podem causar disfunção erétil e incontinência, tanto urinaria quanto anal, afetando a qualidade de vida do indivíduo. Mais ainda, a grande maioria dos cânceres têm crescimento lento, não causando sintomas. Por isso, eles acabam atrasando o início do tratamento.


Sintomas de câncer em estágio avançado: dor e dificuldade de urinar.


Tratamentos locais


Cirurgia

  • Prostatectomia radical convencional.

  • Prostatectomia via laparoscópica

  • Prostatectomia via robótica.

  • Orquiectomia bilateral (operar e retirar os dois testículos)


Algumas medicações prescritas podem causar náuseas, tonturas e “sensação de estar voando”, comprometendo a orientação espacial e consciência situacional. Assim, a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce continuam sendo as maiores armas para lidar com o câncer de próstata.


Quem devemos procurar?


As especialidades que cuidam do câncer de próstata são: Urologista, Oncologista, Radioterapeuta. Devemos lembrar que a adoção de bons hábitos de vida ainda é a maior prevenção e que o diagnóstico precoce é importante para aumentar as chances de cura.


Aeronautas têm o risco duas vezes maior de desenvolver câncer de próstata devido a radiações ionizantes e “gases tóxicos” (Meta analise, 2015).


Prevenção é o melhor caminho para cuidar da sua saúde! Conheça o projeto Saúde ASAGOL!

© 2019 Associação dos Aeronautas da GOL - ASAGOL

Av. Washington Luís, 6817, sala 22, Santo Amaro, São Paulo-SP

Telefone: 11 5533-4197 | WhatsApp: 11 97691-6599 

Parceiros: