CENIPA divulga relatório de acidente que vitimou Eduardo Campos


Caro(a) Associado(a),


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou na terça-feira (19/01) o Relatório Final referente ao acidente com a aeronave Citation XLS+, matrícula PR-AFA, que vitimou o então candidato à presidência da República Eduardo Campos, quatro membros de sua equipe de campanha e os dois pilotos.


Dentre os fatores avaliados na investigação esteve a rotina dos pilotos nos dias que antecederam o acidente, pautada na regulamentação referente a jornada de trabalho (Lei 7183/84) e em suas condições fisiológicas.


Sob estes aspectos, destaca-se a conclusão do órgão apontando que a tripulação estava em conformidade com o previsto na Lei, porém o copiloto apresentava características (identificadas a partir das análises dos parâmetros de voz) compatíveis com fadiga e sonolência.


Ainda de acordo com o CENIPA, apesar da fadiga ter apresentado influência indeterminada dentro da cadeia de fatores que levaram ao acidente, ela pode ter contribuído para a degradação do desempenho da tripulação.


Nos últimos anos SNA, ABRAPAC, ASAGOL e ATT têm trabalhado de forma incessante com o intuito de conscientizar aeronautas, companhias aéreas, autoridades e sociedade para a importância de uma nova legislação estabelecendo regras que permitam o gerenciamento dos riscos da fadiga sobre as tripulações.


Alguns passos importantes já foram dados, dentre os quais a aprovação pelo Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), grupo dirigido e coordenado pelo CENIPA, do Projeto de Investigação de Fadiga elaborado pela Comissão Nacional de Fadiga Humana (CNFH), que estabelece uma metodologia de investigação da fadiga humana em ocorrências aeronáuticas para o Estado brasileiro.


Em tramitação no Congresso Nacional, a nova Lei do Aeronauta (PL 8255/14) também fortalecerá a segurança de voo ao se pautar nas melhores práticas internacionais para a regulamentação da jornada de trabalho da categoria.


O RBAC de FRMS, em elaboração pela ANAC e para o qual as entidades de classe têm buscado prover conhecimento técnico-científico, é outro item que promete fortalecer a regulamentação nacional com uma nova metodologia de análise da exposição aos riscos da fadiga.


Não obstante, cabe ressaltar que os avanços na regulamentação ainda estão em fase de implementação, dependendo sobremaneira do acompanhamento, suporte e apoio de todos os aeronautas brasileiros.


A ASAGOL lamenta pela perda das vidas a bordo do PR-AFA, reforçando seu compromisso com a segurança de voo e com o trabalho em prol de mudanças que beneficiem aeronautas e usuários do transporte aéreo através da mitigação de riscos à operação.


Uma aviação mais segura passa inevitavelmente pela concretização das demandas da categoria por melhores condições de trabalho, sendo a responsabilidade por alcançá-las um dever de todos.


Diretoria da ASAGOL

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